Sinhô nascimento 18/09/1888 falescimento 04/08/1930

Um dos mais talentosos compositores, para muitos o maior, da primeira fase do samba carioca. Nascido no Rio de Janeiro, filho de um pintor admirador dos grandes chorões da época, foi estimulado pela família a estudar flauta, piano e violão. Casou-se cedo, aos 17 anos, com a portuguesa Henriqueta Ferreira e teve de se virar para sustentar os três filhos. Tornou-se pianista profissional, animando os bailes de agremiações dançantes, como o Dragão Clube Universal e o Grupo Dançante Carnavalesco Tome a Bença da Vovó. Não perdia nenhuma roda de samba na casa da baiana Tia Ciata, onde encontrava os também sambistas Germano Lopes da Silva, João da Mata, Hilário Jovino Ferreira e Donga. Ficou surpreso quando Donga, em 1917, gravou e registrou como sendo dele (em parceria com Mauro de Almeida) o samba carnavalesco “Pelo Telefone”, que na casa da Tia Ciata todos cantavam como o nome de “O Roceiro”. A canção, que até hoje é motivo de discussões, gerou uma das maiores polêmicas da história da música brasileira, com vários compositores, entre eles Sinhô, reividicando sua autoria. Para alimentar a polêmica, compôs, em 1918, “Quem São Eles”, numa clara provocação aos parceiros de “Pelo Telefone”. Acabou levando o troco. Exclusivamente para ele, foram compostas “Fica Calmo que Aparece”, de Donga, “Não és Tão Falado Assim”, de Hilário Jovino Ferreira, e “Já Te Digo”, de Pixinguinha e seu irmão China, que traçaram-lhe um perfil nada elegante: (“Ele é alto e feito/ e desdentado/ ele fala do mundo inteiro/ e já está avacalhado...”). O gosto pela sátira lhe trouxe alguns problemas mais sérios, quando compôs “Fala Baixo”, em 1921, um brincadeira com o presidente Artur Bernardes. Teve de fugir para casa de sua mãe para não ser preso. Cultivou a fama de farrista, promovendo grandes festas em bordéis, o que não o impediu de ganhar o nobre título de “O Rei do Samba” durante a Noite Luso-Brasileira, realizada no Teatro da República, em 1927. É do fim da década de 20, os seus grandes sambas, como “Ora Vejam Só” e “Gosto que me Enrosco”, parceria com Heitor dos Prazeres, com quem mais tarde brigaria na justiça por direitos autorais. Em 1928, começou a dar aulas de violão para Mário Reis, que se tornaria o seu maior intérprete, gravando clássicos “Jura”, “Ora Vejam Só”, A Favela Vai Abaixo”, “Sabiá”, “Que Vale a Nota Sem o Carinho da Mulher”. Compôs o último samba, “O Homem da Injeção” em julho de 1930, um mês antes de sua morte.
 
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