ÁGUAS BARRENTAS - AO VIVO

Blues Etílicos (2001)

2001
Crítica

Cotação:

O mundo do blues brasileiro está mesmo a mil. Dois selos especializados no gênero (tradicionalmente desprezado pelas grandes gravadoras) foram criados recentemente - o Blues Time e o BB Records, do lendário Celso Blues Boy, que está prestes a lançar um novo disco. Outro grupo, o Baseado em Blues, acaba de lançar um disco ao vivo, mesmo formato deste Águas Barrentas, do Blues Etílicos, sem dúvida um dos mais tradicionais nomes do blues verde-e-amarelo. Completando 15 anos de carreira, o conjunto chega ao sétimo disco em plena forma, destilando seu som característico ao longo das 15 faixas gravadas em setembro de 2000 no Sesc Pompéia (a propósito, é no mesmo Sesc que acontece o lançamento do disco, amanhã e sábado). Fazendo amplo uso da raiz comum entre o blues e o rock, o Blues Etílicos carrega nas bases, trazendo um bem-vindo peso a músicas como Canceriano Sem Lar, de Raul Seixas, e Luz de Maluco. Fazendo jus ao "etílico" do nome, os bluesmen atacam de Cerveja (parceria com Fausto Fawcett), Terceiro Whisky (Frejat/ Guto Goffi/ Cachimbo) e o hino das ressacas, O Sol Também Me Levanta ("É de manhã/ eu tô numa ressaca/ eu me arrasto até o banheiro/ me sentindo enjoado/ enfio a cara no chuveiro"). O blues mais tradicional se destaca em boas faixas como Misty Mountain, It’s My Soul ou, em versão dançante, na inédita e instrumental Camelo (outras inéditas são Luz de Maluco e Na Pele). Há algumas besteiras, como a fraca Vô Pegá Ma Beibe, para compensar faixas inventivas como a ótima Dente de Ouro, faixa-título do último disco do Blues Etílicos, que promove uma interessante ponte sonora ligando o Mississipi (estado natal do vocalista, compositor e guitarrista Greg Wilson) à Guanabara. Os solos de gaita de Flávio Guimarães são o grande destaque no instrumental, complementado por uma base segura e entrosada. (Nana Vaz de Castro)
 
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