INFLUÊNCIAS

Dori Caymmi (2001)

2001
Crítica

Cotação:

Dori Caymmi retorna mais simpático e (criativamente falando) estagnado do que nunca neste Influências, álbum que, em 15 canções, pretende dar conta dos sons que formaram a sensibilidade musical do filho mais velho de Dorival. A partir desta proposta, parece claro que Dori não está disposto a oferecer nada muito surpreendente ao ouvinte - e isso só se reforça ao verificar-se a seleção de músicas, que pisa firme em terreno mais do que seguro. Então, vale um paralelo entre Influências e Desejo, último CD de Nana Caymmi. Apesar de ser feito basicamente de músicas inéditas, Desejos é puro deja vú - pela interpretação, pelos arranjos "confortáveis", pelo estilo tão inconfundível que chega a parecer repetição. Influências também padece neste meio-termo entre a (indiscutível) qualidade - de instrumentação, escolha de repertório e produção - e o excesso de conservadorismo. E em Dori as coisas se agravam, por conta da obviedade na escolha das músicas.

Não que algum detalhe desabone as novas versões. Todas as músicas ficaram bem bonitas, com uma ou outra se ressaltando. Desafinado, por exemplo, levada só na voz e violão, contraria a canônica batida joãogilbertiana, com resultado interessante. E também os dois números instrumentais do disco (Migalhas de Amor e uma rápida vinheta de Clair de Lune, que fecham o CD) são possíveis surpresas, especialmente Migalhas..., com Dori vocalizando a bela melodia dedilhada ao violão. Maria Bethânia traz algum sangue e dramaticidade ao disco, num dueto em Serenata do Adeus que periga ser a melhor faixa do CD.

O resto do álbum segue naquele registro macio, de arranjos falando baixinho, a voz grave de Dori dominando, eventuais naipes de cordas... Mais do mesmo, o que não chega a ser um defeito. Dori vai dando pistas de sua formação, coverizando Tom Jobim (A Felicidade), incorporando o afro-samba de Baden-Vinicius (Berimbau) e o samba-canção sutil pré-bossa nova de Dick Farney (Copacabana). Papai Dorival comparece destacado em duas faixas, a inevitável É Doce Morrer no Mar, Lá Vem a Baiana e a bem-humorada Acontece que Eu Sou Baiano. Ou seja, mais manjado, impossível. (Marco Antonio Barbosa)
Faixas
Ouvir todas em sequência
1 Conversa de botequim Ouvir
(Vadico, Noel Rosa)
2 Faceira Ouvir
(Ary Barroso)
3 Linda flor (Yayá) (Ai, Yoyô) Ouvir
(Cândido Costa, Henrique Vogeler, Marques Porto, Luiz Peixoto)
4 Da cor do pecado Ouvir
(Bororó)
6 Serenata do adeus Ouvir
(Vinicius de Moraes)
7 Lá vem a baiana Ouvir
(Dorival Caymmi)
9 Acontece que sou baiano Ouvir
(Dorival Caymmi)
10 É doce morrer no mar Ouvir
(Dorival Caymmi)
12 A felicidade Ouvir
(Tom Jobim, Vinicius de Moraes)
13 Desafinado Ouvir
(Newton Mendonça, Tom Jobim)
14 Migalhas de amor Ouvir
(Jacob do Bandolim)
15 Clair de lune Ouvir
(Claude Debussy)
 
INFLUÊNCIAS
 
 
MetaMusica