LUZES DA MESMA LUZ

Fátima Guedes / Eduardo Gudin (2001)

2001
Crítica

Cotação:

Eduardo Gudin é um homem de sorte. Conseguiu realizar o sonho de tantos outros compositores: ter sua obra gravada por uma orquestra e uma cantora. Melhor ainda: a orquestra, formada especialmente para a ocasião, é realmente boa, e a cantora é ninguém menos que Fátima Guedes, que dispensa apresentações. Gudin, aos 50 anos, já conta mais de 30 de bons serviços prestados à música popular brasileira. Basta citar composições como Mordaça, Paulista e Verde ou discos como Eduardo Gudin & Notícias do Brasil (1995) para ilustrar. Neste Luzes da Mesma Luz, entretanto, o que se descobre é seu lado orquestrador. Gudin assina todos os arranjos do disco, conduzindo com mão certeira os naipes de violinos, violas, violoncelos, clarinetes, flautas, saxofones, trompas, trompetes e percussões, e ainda a cozinha básica, formada pelo próprio Gudin ao violão, Lito Robledo no baixo e Toninho Pinheiro na bateria. Os recursos orquestrais são usados com sobriedade e parcimônia, sem o deslumbramento que já resultou anteriormente em verdadeiros desastres quando se fala em samba com orquestra. Fátima Guedes imprime, com sua voz de timbre único, uma espécie de emoção contida que se integra na rica fluência do conjunto, transformando-a em mais um instrumento da orquestra.

O belo crescendo da Abertura instrumental, primeira faixa do CD, anuncia o que vem pela frente, juntando aos poucos a sonoridade do clarinete com a batida típica do violão. Os clássicos ganharam nova roupagem, como Verde, que mescla a leveza das madeiras e o choro da cuíca ou Velho Ateu, que ganhou contracantos feitos por naipes de metais. Outros recursos são bem explorados, como as cordas dobrando baixarias no samba Ainda Mais, parceria de Gudin e Paulinho da Viola já gravado antes por Leila Pinheiro. E há ainda Ângulos, parceria com Arrigo Barnabé (com quem Gudin já escreveu outras tantas composições) e Caetano Veloso, uma melodia pra lá de pontiaguda sobre a base harmônica tranqüila do violão. E as inéditas Neo-Brasil, Apaixonada e Canção Serena, além da Abertura. O encarte vem ainda com um charme a mais: reproduções de obras do artista plástico Cláudio Tozzi. O show de lançamento - com exposição sobre a obra de Gudin - acontece de 9 a 11 de março no Sesc Vila Mariana (São Paulo), o mesmo que apoiou todo o projeto do disco, abrigando até mesmo a gravação em seu estúdio.

(Nana Vaz de Castro)
Faixas
Ouvir todas em sequência
1 Abertura (Instrumental) Ouvir
(Eduardo Gudin)
2 Estrela do norte Ouvir
(J. C. Costa Netto, Eduardo Gudin)
3 Das flores Ouvir
(Eduardo Gudin)
5 Neo-Brasil Ouvir
(Eduardo Gudin)
8 Obrigado Ouvir
(Eduardo Gudin)
10 Canção serena Ouvir
(Eduardo Gudin)
11 Luzes da mesma luz Ouvir
(Sergio Natureza, Eduardo Gudin)
12 Ainda mais Ouvir
(Eduardo Gudin, Paulinho da Viola)
13 Apaixonada Ouvir
(Eduardo Gudin, Aluízio Falcão)
14 Velho ateu Ouvir
(Roberto Riberti, Eduardo Gudin)
 
LUZES DA MESMA LUZ
 
 
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