NA ESQUINA AO VIVO - VOLUMES 1 E 2

João Bosco (2001)

2001
Crítica

Cotação:

Já virou norma: ao longo da última década praticamente todos os artistas de peso na música brasileira lançaram o inevitável disco ao vivo recheado com antigos sucessos. Para as gravadoras, antes de tudo, esse é um lucrativo negócio, já que os custos de produção são bem mais baixos, sem falar no fato de antologias de sucessos serem mais atrativas ao público, mesmo quando em novas versões. Em vários casos, esse formato não consegue esconder um certo caráter oportunista, mas tratando-se de um artista como João Bosco, a coisa muda de figura. Quem acompanha a carreira desse cantor, violonista e compositor já se acostumou a ouvi-lo recriar seus sucessos, no palco, em versões bem diversas das gravadas em estúdio. Basta lembrar do ótimo Acústico MTV (de 1992), álbum em que João revisitou alguns de seus hits, acompanhando-se ao violão, com o brilho de sempre.

Esse é também o espírito do álbum duplo Na Esquina ao Vivo, gravado em dezembro de 2000, em show no Teatro Central de Juiz de Fora. Desta vez João aparece acompanhado por uma banda mais elétrica, formada por Glauton Campello (teclados), João Baptista (baixo), Nelson Faria (guitarra), Kiko Freitas (bateria) e Marco Lobo (percussão). Apesar do título, entraram no repertório apenas quatro composições extraídas do álbum Na Esquina (amostras de 30s lançado no ano passado), todas elas repaginadas. A começar pelo reggae Mama Palavra (parceria de João com o filho Francisco Bosco), que conta também com os vocais da cantora Ana Carolina. Mas o que domina o álbum é mesmo a retrospectiva que João faz de sua carreira, partindo de preciosidades dos anos 70 (todas em parceria com Aldir Blanc), como O Ronco da Cuíca, que ganhou uma longa e dramática introdução recitada, Incompatibilidade de Gênios, que serve de veículo para solos dos instrumentistas, e O Bêbado e a Equilibrista, cantada em coro pela platéia.

Dos anos 80 entram sucessos mais românticos, como Desenho de Giz (parceria com Abel Silva), que ressurge em versão mais intimista, e Papel Machê (letra de Capinan), também cantada junto com a platéia, além de Jade, introduzida por versos recitados. Não faltam também pérolas da última década, com Holofotes e Zona de Fronteira (parcerias com Antonio Cícero e Wally Salomão). Adepto radical do improviso, o mineiro de Ponte Nova é capaz de revisitar seus sucessos sem deixar sensação de redundância. Para João, assim como para os jazzistas que ele admira, o que vale não é tanto o que tocar ou cantar, mas o modo de fazê-lo.(Carlos Calado)
Faixas
Ouvir todas em sequência

DISCO 1

1 Mama palavra Ouvir
(Francisco Bosco, João Bosco)
3 O ronco da cuíca Ouvir
(Aldir Blanc, João Bosco)
4 Odilê, odilá Ouvir
(Martinho da Vila, João Bosco)
Zona de fronteira (João Bosco, Antonio Cícero, Waly Salomão)
Metamorfoses (João Bosco, Francisco Bosco)

7 Na esquina Ouvir
(Francisco Bosco, João Bosco)
8 Desenho de giz Ouvir
(Abel Silva, João Bosco)
9 Enquanto espero Ouvir
(Francisco Bosco, João Bosco)
10 Memória da pele Ouvir
(João Bosco, Waly Salomão)

DISCO 2

12 Benguelê Ouvir
(Gastão Vianna, Pixinguinha)
Incompatibilidade de gênios (João Bosco, Aldir Blanc)

13 Jade Ouvir
(João Bosco)
14 Quando o amor acontece Ouvir
(Abel Silva, João Bosco)
15 Corsário Ouvir
(Aldir Blanc, João Bosco)
16 Linha-de-passe Ouvir
(Paulo Emílio, Aldir Blanc, João Bosco)
18 O bêbado e a equilibrista Ouvir
(Aldir Blanc, João Bosco)
19 Papel marchê Ouvir
(Capinan, João Bosco)
 
NA ESQUINA AO VIVO - VOLUMES 1 E 2
 
 
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