PENINSULA

PELVs (2001)

2001
Midsummer Madness
Crítica

Cotação:

A PELVs é um caso raro dentro do dito cenário guitar . Primeiro pela longevidade (já se encaminham para os dez anos de carreira), rara no estilo; segundo, por terem encontrado uma sonoridade própria (ainda que nem sempre original) em meio a tantas bandas que cantam em inglês, copiando os similares americanos/ingleses. Em seu terceiro álbum, Peninsula, o quarteto carioca consegue um resultado muito agradável - sem vergonha de soar pop, postura também rara dentro da dita "cena".

Nota-se que o grupo mastigou influências de grupos como Pavement, Teenage Fanclub e (bastante) Yo La Tengo, mas ao reprocessá-las pôde dar uma cara pessoal a seu som. Ou seja: eles não negam suas fontes, só que não se limitam à mera imitação. O disco tem a cara deles, especialmente por seu clima ensolarado, típico da Cidade Maravilhosa. Só por refutar os clichês de "guitar-band-deprimida-com-vontade-de- estar-em-Londres", a PELVs já ganha pontos. Soam mais brasileiros do que certas bandas - as mesmas que julgam ser "autênticas" por atirar tambores de maracatu em meio a um funk-metal mal-ajambrado, ou coisa que o valha. Os eventuais tropeços na execução (as desafinadas do vocalista Gustavo, ou o inglês às vezes vacilante) só conferem um charmezinho maior à coisa toda.

Se fossem americanos ou ingleses, os caras estariam bem na parada independente com músicas como Even If The Sun Goes Down, I'll Surf, Acid Al ou Backdoor: pop rock guitarreiro desencanado, que também sabe ligar a distorção quando necessário (Equador, Abrasive), ou apelar para o pendor baladesco (After Shave, Barbecue). Como vivem no Brasil, podem acabar sendo confundidos com "alternativos" alienados e descerebrados, apenas por cantar em inglês. Pior para quem perder este disquinho refrescante.

(Marco Antonio Barbosa)
 
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